26 de fevereiro de 2021
Days of Ire: Ep. 6 - O desfecho da revolução
25 de fevereiro de 2021
Days of Ire: Ep. 5 - Juntei-me à revolução!
É preciso continuar em movimento, pensei!
Desta vez, atravessei a cidade na caixa aberta de uma camioneta, em companhia de Imre e Valéria. Fomos a Széna, onde organizámos um grupo de combatentes, a quem ensinámos a arte de construir barricadas de rua, recorrendo ao que se encontrar à mão.
Não sem mais uma troca de tiros com a milícia, escapando uma vez mais à justa. Mas agora estava bem armado, com uma PPsh-41, uma pistola-metralhadora, ironicamente, de fabrico soviético, a quem eles chamavam papasha.
Encontrava-me ainda a recuperar do tiroteio quando soube que Júlia e István tinham sido abatidos por atiradores furtivos, algures para os lados da Praça Kossuth.
Quatro dias, e a linha que separa vida e morte vai ficando cada vez mais fina.
24 de fevereiro de 2021
Days of Ire: Ep.4 - Na mesa
Dentro da caixa, não um, mas três manuais. Um com a mesma imagem da caixa: a mulher segurando uma espingarda na mão esquerda, a bandeira Húngara despojada do brasão na direita; em fundo, quase como numa pintura a preto e branco não fossem as chamas, blindados soviéticos são incendiados, numa batalha de rua; o verde, vermelho e branco da bandeira omnipresentes na composição gráfica, como elemento unificador. Uma bela obra de arte de Kwanchai Moriya. Assim, como a ilustração das cartas Soviéticas, também da autoria de Kwanchai, as cartas revolucionárias ilustradas por Katalin Nimmerfroh, e a conceção gráfica de Sami Laakso.
Este é o manual introdutório, que contém uma visão geral do jogo, a preparação para todos os três modos de jogo, um relato da revolução, e um conjunto de anexos com informação detalhada sobre todas as cartas e todos os combatentes.
Depois, há o manual verde, as regras Zhukov, para o jogo a solo ou em cooperação, onde o ou os jogadores assumem o lado revolucionário.
O terceiro é o manual vermelho, as regras de conflito, em que um dos jogadores assumirá o controlo das forças Soviéticas e do Estado.
Manuais em verde e vermelho, bem paginados, com espaço para respirar, instruções claras e exemplos adequados. E com muitos pequenos detalhes que enriquecem a experiência de jogo e conduzem os participantes numa viagem através da história e da cultura: fotos de arquivo, a preto e branco, pormenores históricos e a fonética dos nomes húngaros.
O mapa da zona central de Budapeste, com o rio Danúbio e as muitas pontes. A Estátua de Bem e a Universidade de Tecnologia numa das margens. Na outra, a Praça Kossuth, junto ao Parlamento e a edifícios que albergam vários Ministérios. Aquartelamento Killian, Passagem Corvin, Teatro Corvin. A Rádio e o Museu Nacional. Praça Blaha Lujza e Praça Stalin. Nomes e locais ainda pouco familiares, à espera de que nos aventuremos por aquelas ruas.
Uma iconografia simples, mas muito eficaz, assinala no mapa o que é preciso saber para colocar as forças iniciais, mobilizar reforços no final de cada dia, manter o registo dos níveis de apoio, de moral, e dos dias da semana. Em conjunto com o verso do manual, que contém uma folha resumo, possibilita um acesso expedito à informação básica necessária para uma partida fluída.
23 de fevereiro de 2021
Days of Ire: Ep.3 - Perspetivas de autor
22 de fevereiro de 2021
Days of Ire: Ep.2 - Apresento-vos Dávid Turczi
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| Do perfil de Dávid Turczi no BoardGameGeek |
21 de fevereiro de 2021
Days of Ire: Ep.1 - Coisas sérias
Days of Ire: Budapest 1956 foi originalmente publicado em 2016, precisamente 60 após a Revolução. No jogo, podes escolher tomar parte na revolução, em solitário ou em cooperação com parceiros revolucionários, enfrentando um adversário virtual. Ou podes escolher um confronto entre dois lados, no qual os jogadores revolucionários farão face a um único jogador que assumirá o comando das forças do Estado e das tropas Soviéticas, na tentativa de suprimir a revolução e restaurar o controlo.
Este é um jogo sobre conflito. É um jogo com raízes históricas, baseado em eventos reais, vividos por pessoas reais, e há não tanto tempo como isso. Eventos com consequências drásticas para muitos dos envolvidos: ferimentos e morte, prisão e exílio. Eventos cujas consequências na sociedade Húngara e internacionalmente acarretaram repercussões duradouras e de grande alcance, em ambos os lados da Cortina de Ferro.
Isto são coisas sérias.
E jogar com coisas sérias pode ser controverso.
Com efeito, “jogar” é mais frequentemente associado a sentimentos de alegria e diversão, mesmo que temperados com alguma competição e conflito mitigado, e não com sofrimento e destruição. O próprio conceito e ascensão do que se vem designando por Eurogames está intimamente ligado a um distanciamento intencional de elementos de jogo como sejam o conflito direto, ataque aos adversários, ou eliminação de jogadores durante a partida, em conjunto com uma importância acrescida dos processos de jogo sobre os temas.
E, no entanto, existe paralelamente uma longa tradição de jogos de guerra e outros jogos sobre conflitos, simulando, ou recreando, disputas, lutas e guerras, através dos tempos. São jogos que, muitas das vezes, possibilitam aos jogadores tomar parte ativa em diferentes lados de um conflito. Este é um tipo de jogos que não atrairá todos, e não há nenhum problema nisso! O mesmo acontece com livros de história militar, filmes de guerra, e outras obras sobre estas temáticas. Alguns jogadores tratarão estes jogos como quaisquer outros, numa espécie de abstração, vendo apenas peças e características a usar em busca da vitória, sem qualquer ligação ou imersão no tema. E também não há nenhum problema nisso! As pessoas procuram diferentes experiências à volta de uma mesa de jogo, tendo em consideração as suas preferências e perspetivas, o conjunto de parceiros em até, a disposição do momento.
Estas considerações são extensivas a uma gama muito mais alargada de jogos, tendo por comum debruçarem-se sobre temas que afetaram, ou continuam a afetar, as vidas de outros e, talvez até, as nossas próprias vidas. Alguns exemplos que conheço, mas não experimentei ainda, e que envolvem diferentes tipos de decisões incluem: This Guilty Land, lidando com a luta política sobre a escravatura antes da Guerra Civil Americana, colocando frente a frente Justiça e Opressão; This War of Mine, em que se assume o papel de civis, tentando sobreviver numa cidade em guerra, com todo um conjunto associado de dilemas morais; Article 27, colocando sobre a mesa agendas nacionais, agendas comuns, e as trocas e compromissos da política internacional, tendo como pano de fundo o Conselho de Segurança das Nações Unidas; The Cost, sobre a gestão da indústria dos asbestos, incorporando a mortalidade dos próprios trabalhandos; Healthy Heart Hospital, e a gestão de entidades de saúde. E poder-se-iam ainda acrescentar a esta lista muitos dos jogos de base económica, em que o lucro máximo é o objetivo, ou todos aqueles que abordam temas de expansão nacional e colonização.
Days of Ire não é uma simulação baseada em hexágonos e muitas unidades, cheio de tabelas de movimento e de combate. É, de facto, uma criatura muito mais fluída, em que o constante movimento, a gestão de recursos e a ativação de capacidades, bem como o sentido de oportunidade, são de capital importância, nesta batalha de rua de David contra Golias.
Porque é assim? O que foi incluído e o que foi deixado de fora?
Bem, os jogos são imaginados e criados por pessoas reais, com a sua própria história, perspetivas, preferências, motivações e abordagens. Assim, o que será mais apropriado do que conhecer o autor, um pouco do seu trabalho, e ouvir, ao perto e na primeira pessoa, a sua versão sobre tudo isto?
Juntem-se a mim, amanhã, para o Episódio 2!

