16 de fevereiro de 2020

A arte dos vitrais



Há projetos. Depois, há projetos de quase uma vida inteira. E há, ainda, os outros, os projetos que vão Há projetos. Depois, há projetos de quase uma vida inteira. E há, ainda, os outros, os projetos que vão para além da vida! É o caso deste, da autoria de Antoni Gaudí, que se ergue em Barcelona, ainda inacabado. Cento e trinta e oito anos depois dos esboços iniciais, traçados em finais do século XIX, ali por volta de 1882, a silhueta inconfundível transformou-se num corpo sólido. As torres, essas, continuam a procurar o céu. A contagem do tempo continua.

Não iremos retraçar a história do templo nem a do homem por detrás dele. Não iremos construir ou, sequer, tentar concluir a obra. Não iremos tentar superar o criador.

Vamos jogar com a luz, intermediando entre o sol forte e o céu azul com cheiro a mediterrâneo, e o interior de sombras frescas, onde crentes e turistas
se misturam.

Vamos fazer vitrais!

Juntando os pequenos fragmentos que permitem ver no interior, que afastam a penumbra, que projetam cor sobre as pedras, que revelam imagens.




A matéria-prima dos vitrais.
São 90 dados, em 5 cores diferentes.
Apenas alguns estarão disponíveis em cada ronda.
Tirados aleatoriamente do saco negro e lançados sobre a mesa.




Cada artesão irá fazer o seu próprio vitral.

Respeitando as restrições definidas pelo padrão base a reproduzir, quanto ao valor ou à cor do fragmento a colocar em determinadas posições.

Respeitando as restrições definidas pela teoria da criação de vitrais aqui seguida: começar sempre pelo exterior; prosseguir por espaços adjacentes (diagonais incluídas); assegurar a diversidade, não repetindo cores ou valores em espaços adjacentes (diagonais excluídas).

Quanto ao resto, liberdade criativa!

Competindo pela matéria-prima, ao longo de apenas 10 rondas, que há que acabar o monumento! Atuando em dois momentos em cada ronda, numa sequência que oscila: do jogador inicial até ao último e, logo de seguida, do último até ao primeiro jogador.

Assim, há que escolher o fragmento certo na altura certa. Ou esperar. Ou até usar ferramentas para retocar a obra.




Na busca pelo vitral mais apreciado há objetivos a prosseguir.

Um é individual, secreto e diferente para cada artesão: a cor que será especialmente recompensada no final, através da soma do valor de cada um dos fragmentos.




Os outros são objetivos comuns, três por jogo.
Há que promover uma certa coerência no estilo das obras.
Cores, padrões ou valores a privilegiar.
Uns mais fáceis que outros. 
Uns mais valiosos que outros. 




À medida que a obra avança, torna-se mais difícil conciliar as restrições com a matéria-prima disponível.

É então tempo de utilizar as ferramentas, permitindo retocar o vitral em construção, modificando as posições de fragmentos, obtendo permissão para ignorar algumas restrições, acedendo a outra matéria, alterando valores.




O uso das ferramentas tem o seu custo, sendo apenas mais barato para o primeiro que o fizer. Como estes artesãos não são propriamente ricos, é uma decisão que tem de ser bem ponderada. Guardar para o final, quando tudo se pode tornar mais difícil, ou usar antes, a um custo mais baixo?




Acabada a obra é tempo de a contemplar, de deixar a luz incidir sobre o vitral e de apreciar a magia das cores.




Ainda que a contemplação seja breve, pois haverá sempre alguém impaciente para apurar quem melhor cumpriu o caderno de encargos comum, e o toque de gosto pessoal!




Este é Sagrada, um jogo com dados, que não é propriamente um jogo de dados, em que cada jogador-artesão tem o seu próprio puzzle para resolver, seguindo um único objetivo individual e partilhando os restantes objetivos, recursos e ferramentas.

A interação entre os artesãos centra-se na competição pelos dados disponíveis em cada ronda e, também, no acesso às ferramentas.

É possível também jogar em solitário.

Apreciado cá por casa, joga-se em menos de 60 minutos, mesmo a 4 jogadores, e é apropriado para uma gama muito alargada de idades e de gostos.

Sagrada (2017), de Daryl Andrews e Adrian Adamescu, da Floodgate Games, aqui na versão portuguesa a cargo da MEBO Games.

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